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Estudo
publicado no Meio & Mensagem foi elaborado
pelos analistas do IBOPE//NetRatings, com
base nos dados produzidos pelo IBOPE Mídia.
Dois
recordes foram quebrados no Brasil em 2006:
o do uso da Internet nas residências
e o da venda de computadores domésticos.
Marcas simbólicas, mas que apontam
para a crescente digitalização
da cadeia de negócios da comunicação,
principalmente para as empresas interessadas
em atingir os consumidores mais jovens e
afluentes.
Os internautas
domiciliares brasileiros consolidaram sua
posição como os que mais navegam
no mundo, de acordo como o IBOPE//NetRatings,
liderando o ranking por oito meses e fechando
o ano com 21hs 30 min de utilização
da Web. Países como EUA, França
e Japão estão ao redor de
18hs mensais de utilização
da rede na residência.

Existem
algumas hipóteses para explicar essa
intensidade de utilização
por parte dos brasileiros. A primeira é
a de que, enquanto nos demais países
monitorados pelo IBOPE//NetRatings o usuário
da rede apresenta um perfil próximo
ao da média da população,
no Brasil sua utilização ainda
é restrita aos grupos mais privilegiados,
que também consomem intensamente
outras mídias em geral-conjectura
sustentada pelos dados do Target Group Index
(67% dos internautas consomem revistas com
freqüência, 52% tiveram contato
recente com jornais e 35% com TV por assinatura,
números bastante superiores a média
nacional). A segunda hipótese é
a de que os povos latinos tendem a ser mais
comunicativos que os anglo-saxões,
o que leva a uma maior utilização
da rede como ferramenta de contato (mensagens
instantâneas, e-mail e sites de comunidades),
o que também é sustentado
pelos dados disponíveis: brasileiros,
franceses, espanhóis e italianos
apresentam uma frequência de utilização
mais alta de sites e aplicativos que envolvem
estas modalidades de contato. Por fim, é
preciso lembrar que o usuário domiciliar
de Internet no Brasil está localizado
predominantemente em grandes centros urbanos,
e que a carência de espaços
públicos para o lazer, associada
com a violência crescente, reforça
uma tendência de “enclausuramento”
no domicílio, o que acaba beneficiando
o uso da rede –hipótese que
necessita ser comprovada por pesquisas mais
aprofundadas.
Já
o número total de pessoas com acesso
no Brasil, considerando múltiplos
locais de uso (residência, trabalho,
universidades, etc), atingiu 32,9 milhões
no final de 2006, praticamente estável
em relação ao verificado no
final de 2005. A expectativa para os próximos
anos é que com a queda dos preços
dos computadores e das conexões de
banda larga, o percentual de brasileiros
conectados aumente em relação
ao total da população. Esse
movimento vai aproximar um pouco mais o
perfil do usuário da Internet com
o da média da população
brasileira que vive nos principais centros
urbanos do país. Atualmente, a distância
entre os dois ainda é elevada, conforme
podemos observar na tabela abaixo:
Perfil
do Internauta Brasileiro
| Carac.
Sócio-Demograf. |
Pop.
em geral |
Usuários
Internet |
| Classe A/B |
32% |
59% |
|
Classe C |
39% |
34% |
| Classe D/E |
30% |
8%
|
|
Homens |
48% |
52% |
| Mulheres |
52% |
48% |
|
Faixa Etária: 12 a 19 |
19% |
25% |
| Faixa Etária:
20 a 24 |
13% |
17% |
|
Faixa Etária: 25 a 34 |
22% |
24% |
| Faixa Etária:
35 a 44 |
20% |
18% |
|
Faixa Etária: 45 a 54 |
16% |
12% |
| Faixa Etária:
55 a 64 |
10% |
4% |
* qualquer local
de acesso, utilização
mínima de 1 vez ao
mês
Fonte: Target Group
Index Ano 7 onda 1+2 (Jul05-Jul06)
|
|
Conforme
observamos, a grande maioria dos internautas
é das classes A/B, geralmente um
pouco mais jovens que a média da
população. A medida que aumentam
as vendas de computadores populares, deveremos
verificar um aumento da participação
da classe C. Em 2006, segundo a Associação
Brasileira da Indústria Elétrica
e Eletrônica (Abinee), a venda de
computadores cresceu 43%, atingindo 8,3
milhões de máquinas, um recorde
para o setor. Deste total, 3,5 milhões
de equipamentos são de uso doméstico,
adquiridos majoritariamente pelas classes
B e C, segundo a Abinee.
Em
relação as camadas menos favorecidas,
o acesso, como em outros países em
situação similar, dependerá
de políticas públicas mais
agres sivas, notadamente a informatização
de unidades do ensino médio/básico.
Atualmente, apenas 11% dos internautas brasileiros
acessam a rede através de escolas/universidades,
enquanto o domicílio, próprio
ou de amigos e parentes, continua sendo
a principal fonte de uso da Web.

Diversão
e Comércio em alta
Em
relação ao uso da rede propriamente
dito, merece destaque o crescimento da sub-categoria
Vídeos e Filmes, que passou de 2,1
milhões de usuários domésticos
em janeiro de 2006 para 5,7 milhões
no final do ano, um crescimento de mais
de 160% (o sistema de medição
de audiência domiciliar da Internet
do IBOPE//NetRatings utiliza 15 categorias
e 74 sub-categorias para classificar os
sites). O Youtube.com, site mais emblemático
desta tendência, passou de 57 mil
usuários em dezembro de 2005 para
4,1 milhões em dezembro de 2006.
Turismo também foi um segmento que
cresceu bastante (64,8% na comparação
com dezembro/05), assim como os sites de
cartões de crédito, que pela
primeira vez ultrapassaram a barreira de
1 milhão de usuários (crescimento
de 67,5% no ano).
Crescimento
do acesso domiciliar residencial 2006
Principais Categorias
| Categoria |
Crescimento
Audiência |
| Turismo e Viagens |
65% |
|
Casa e Moda |
55% |
| Automotivos |
40% |
|
Família e Estilo de Vida |
37% |
| Informações
Corporativas |
35% |
|
Notícias e Informações |
34% |
| Educação
e Carreiras |
29% |
|
Computadores e Eletrônicos |
28% |
| Entretenimento |
25% |
|
Comércio Multi-Categoria |
23% |
| Finanças
e Investimentos |
22% |
|
Busca / Portais e Comunidades |
20% |
| Telecom e Serviços
de Internet |
20% |
|
G over no e Entidades sem fins lucrativos |
17% |
| Ocasiões
Especiais |
7% |
|
Fonte: IBOPE/NetRatings |
O comércio
eletrônico é outro setor que
apresenta uma grande evolução
no Brasil. De acordo com o Target Group
Index, 16% dos internautas brasileiros realizaram
pelo menos uma compra on-line no ano passado
(excluindo-se alimentos e bebidas). Considerando
apenas a população com renda
mensal superior a R$ 4.500, 31% realizaram
compras pessoais pela rede nos 30 dias anteriores
ao levantamento (1o Semestre de 2006) –ou
seja, entre os brasileiros com maior poder
de consumo, 1 em cada 3 utiliza a rede com
frequência para suas compras. Além
disso, é preciso lembrar que o impacto
da rede sobre o consumo acontece não
somente pela transação em
sí, mas também pela decisão
de compra (pesquisa de preços, características
de produtos, etc).
Quanto mais
“informacional” a decisão
de compra, maior a importância da
rede –o que explica, por exemplo,
o crescimento dos sites automotivos, embora
ainda seja muito raro fechar a compra de
um carro pela Web. Com base em estudos clássicos
sobre a adoção de novas tecnologias,
o IBOPE Inteligência produziu o relatório
“O consumidor de eletroeletrônicos
no Brasil”, verificando como as tradicionais
ondas de adoção de inovações
se comportavam em nosso país. Os
internautas pertencem majoritariamente ao
grupo de “atualizados planejadores”,
que baseiam suas compras em muita informação
e avaliação. Sob este aspecto,
vale destacar que ao longo de 2006, considerando-se
apenas o acesso domiciliar, mais de 7 milhões
de brasileiros visitaram mensalmente sites
de comércio eletrônico, não
somente com o propósito de fazer
compras, mas também obter avaliações
e preços dos produtos.
O
futuro
O grande
desafio em termos do uso da rede em nosso
país nos próximos anos será
a superação do que, nos estudos
de adoção de inovações
tecnológicas, é conhecido
como “hiato de adoção”
– o período que separa os adotantes
iniciais, tradicionalmente mais ricos e
com maior escolaridade, da maioria dos consumidores,
que formam o mercado principal para um novo
produto ou serviço com fortes características
de inovação.

Preço
é uma destas barreiras, que está
sendo (gradualmente) superada em nosso país.
Entretanto, outras permanecem (disponibilidade,
facilidade percebida de uso, atendimento
das reais necessidades dos consumidores,
pressão do grupo social/família,
etc). Sua superação vai exigir
um esforço conjunto tanto do lado
da oferta (empresas) como da regulamentação
(governo), dentro de um ambiente econômico
relativamente estável. Este “concerto”
entre as ações dos agentes
privados com as políticas públicas
será decisivo para generalizar a
“história de sucesso”
da Web brasileira (altos índices
de utilização, serviços
inovadores) para os grupos menos favorecidos-e
mais numerosos&m dash; da nossa população.
Refletindo
o crescimento do uso da rede no Brasil,
os principais portais investiram na oferta
de seus serviços em outros meios
de comunicação. O investimento
publicitário das empresas de Internet
cresceu 25% na comparação
entre o 3o trimestre de 2006 e o mesmo período
do ano anterior, atingindo R$ 186 milhões,
segundo o IBOPE Monitor (no mesmo período,
o investimento publicitário como
um todo cresceu 12%).
Os provedores
lideram o gasto, embora outros sites apresentam
maior crescimento relativo ao período.
|
Moeda:
R$ (000)
|
Setor
econômico INTERNET Distribuição
dos Investimentos |
|
Categoria |
Jul a Set/2005 |
Jul
a Set/2006 |
Var. (%) |
| E-commerce |
13.124
|
24.706 |
88 |
Instituc Internet |
106.299
|
- |
- |
| Provedor |
378 |
96.578 |
-9 |
| Site |
30.027 |
65.406 |
118 |
|
Total |
149.827 |
186.689
|
25 |
|
Fonte: IBOPE Monitor 1ª remessa
de dezembro de 2006 |
A distribuição
dos investimentos privilegiou a TV aberta
e por assinatura, em linha com os hábitos
de consumo dos internautas. Segundo o Target
Group Index, 97% dos internautas possui
contato freqüente com a TV aberta,
e 35% com a TV por assinatura.
Internet
- Distribuição dos investimentos
|
|
Meio |
Jul/2005
a Set/2005 |
Jul/2006
a Set/2006 |
Part.
(%) 2006 |
Var. (%) |
| Jornal |
22.235
|
32.825 |
18 |
48 |
| Outdoor |
50 |
206 |
0 |
310 |
| Revista |
13.334 |
15.957 |
9 |
20 |
| Rádio |
3.479 |
2.178 |
1 |
-37 |
| TV |
91.046
|
88.114 |
47 |
-3 |
| TV por assinatura |
19.683
|
47.410 |
25 |
141 |
|
Total |
149.827 |
186.689 |
100 |
25 |
|
Fonte: IBOPE Monitor 1ª remessa
de dezembro de 2006 |
Fonte: IBOPE Mídia, Notícias,
Investimento Publicitário, Internet,
IBOPE//NetRatings - Área: Notícias\2007
Data de publicação:
28/03/2007
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